Mostrando postagens com marcador Apagão Aereo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Apagão Aereo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de junho de 2007

"Onde está o presidente?" - CARLOS HEITOR CONY

Num desses telejornais, vi o desabafo de um cidadão que não obedeceu ao conselho da ministra do Turismo para relaxar. Tomou o microfone da jornalista e gritou: "Onde está o presidente? Há algum presidente neste país?".
A cena era patética e já conhecida de todos. Gente deitada no chão, pessoas doentes chorando, o diabo. Onde estava o presidente? A pergunta pode parecer exagerada (não a cólera), mas há razão para ela. A crise no setor aéreo pertence ao Executivo, cujo chefe maior está omisso, dando conselhos e invocando um trabalho que não aparece.
Lembro dois casos. JK tomou posse na Presidência e, dias depois, rompeu-se a barragem de Orós. Ele deslocou todo o governo para lá e só voltou ao Rio após tomar as medidas executivas para resolver o problema pessoalmente, embora não fosse engenheiro nem ainda tivesse tomado pé da chefia da nação.
Outro exemplo: Carlos Lacerda, ex-governador da Guanabara, teve um problema de rompimento na adutora do Guandu em construção. A cidade ficaria sem água. Lacerda pegou uma cadeira, sentou-se no local da obra e só saiu dali no dia seguinte, com o problema resolvido.
Tanto num como no outro caso, a presença física do presidente e do governador apressaram a solução do caso. Evidente que Lula não precisa bivacar no saguão dos aeroportos. Mas a presença dele nos segmentos em crise, tomando providências imediatas sem delegação a terceiros, daria um cenário novo ao apagão aéreo.
Passar a responsabilidade para a cadeia hierárquica do comando vem revelando inutilidade operacional e insensibilidade política. Dá a impressão que ele está fazendo tudo quando mantém os mesmos homens nos mesmos cargos e não toma a iniciativa que se espera de um chefe do Executivo.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Um país-piada - CLÓVIS ROSSI

   Em qualquer lugar do mundo, empresas aéreas chamam os clientes para os aeroportos, únicos lugares dos quais podem decolar os aviões. Em qualquer lugar menos no Brasil, claro, que não é um lugar qualquer, mas uma imensa piada feita país.
A Gol emitia ontem instruções aos passageiros para que fizessem qualquer coisa, menos ir aos aeroportos, porque, no país-piada, aviões não decolam de aeroportos, ficam estacionados.
No mesmo dia em que a Gol fazia tão insólito apelo, a Varig, recém-adquirida pela mesmíssima Gol, soltava uma promoção que também é piada. Título: "Todo mundo vai voar". Oferece 90% de desconto para todos os destinos domésticos operados pela companhia, mas só neste fim de semana.
É exatamente o fim de semana em que ninguém deve ir aos aeroportos, segundo recomendação da nova dona da empresa que diz que "todo mundo vai voar".
Vai não.Tanto que outro dos atores do circense drama aéreo tupiniquim dizia ontem: "Uma paralisação longa como essa destrói a malha aérea do país. Estamos, praticamente, começando do zero neste sábado", lamentava José Carlos Pereira, presidente da Infraero, referindo-se ao "motim" dos controladores de tráfego aéreo.
"Motim" cujo encerramento foi negociado não por gente do setor, como o ministro da Defesa ou mesmo o presidente em exercício, José Alencar, que já foi ministro da Defesa, mas pelo ministro do Planejamento, que não tem por que entender alguma coisa do assunto.
Mas, no país-piada, é até melhor que seja o ministro Paulo Bernardo a negociar. Afinal, seu chefe, Lula, dizia em dezembro: "Acho que acabou a crise. A situação parece já ter se normalizado".
É outra piada, porque, três meses depois, a "normalidade" antevista por Lula era tamanha que a Gol mandava fugir do aeroporto.